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Topadas do Coração

Durante as férias na Bahia, Zeca, 3 anos, tentou chutar a bola e acabou acertando o cimento. O resultado não podia ser muito diferente. A pele do topo do dedão se desprendeu, e o sangue deixou um rastro de pequenas gotas vermelhas pelo chão.

Zeca nunca tinha sangrado e ficou impactado com a experiência. A dor era inegável, mas o que mais o assustava era nunca ter vivido algo parecido. Eu imaginava sua cabecinha processando as novas informações. Será que vou ficar com este buraco no dedão? E se o spray curativo arder? Quando vai parar de doer?

Às vezes, me sinto como Zeca. A diferença é que minha topada arrancou um pedaço do meu coração. Ajo e reajo por instinto, já que nunca vivi algo parecido. Envolvo a alma em ataduras para deixar a ferida menos exposta e saio mancando em busca de algo que me conforte. Mas as perguntas também rondam meus pensamentos. Será que ficarei para sempre com este buraco no peito? E se eu não der conta de retomar o rumo da minha vida? Quando a dor vai arrefecer?

Ao final das férias, o pedaço arrancado do dedão de Zeca já havia se regenerado. Menino saltitante, ele corria a valer e entrava na água salgada sem medo de sentir dor.
A temporada também refrescou a minha saudade. Me fez um bem indescritível ver nossas famílias tão intimamente misturadas, me embolar com os netos que Gil me deu, gargalhar, cantar, dançar, comer, brindar, fazer yoga, jogar frescobol e chamegar algumas das pessoas que mais amo nesta vida.

Sempre difícil olhar para o horizonte e não encontrar Gilberto retornando de uma das suas caminhadas pela praia. Mas pude vê-lo a todo momento naquela convivência familiar tão harmônica, naqueles sorrisos tão queridos e nas muitas memórias que evocaram.

Obrigada, meus amores! Como disse na nossa fogueira, vocês são o meu oxigênio.